27.6.10

Espera, eu vou pensar.

Disseram-me, outro dia, que eu tinha que falar mais. Sim. "Fale o que você sente. Só assim vou saber o que se passa aí dentro."
Eu ri um pouco, parecia uma desgraçada a procura de uma resposta coerente, com os olhos fechados e uma terrível dor de cabeça. Nada me vinha à mente, nada.
Depois de um tempo, comendo aquele silêncio, supostamente, agradável pude pensar em uma música, acredite, uma música que nem sei cantar, que nem ao menos ouço constantemente, que gosto da melodia.
"Desculpa, eu não tenho nada pra falar."
Eu não tenho memórias válidas. Uma ou duas, devo confessar, são boas. Uma ou duas.
Eu sei que eu deveria falar mais, mas como disse, nada me vem à mente. E é sempre assim, um sorriso que tiro de dentro de mim, verdadeiro. Verdadeiro sorriso. Era o que eu sentia.

"Only when the goal is unattainable do i start to feel"
(Little Joy - Unattainnable)

11.6.10

cigarettes, please


- Por favor... Moço!
- Sim?
- O senhor ainda não me atendeu...
- Me desculpe. Não tinha lhe visto.
- É eu sei, ninguém nunca me ver mesmo...
- E então? O que deseja?
- Um maço de cigarros e uma tapa na cara.
- Quantos anos você tem, garota?
- 18.
- Hm... Não vendemos cigarros para crianças... Tem 16? 15?
- 18.
- Vai-te embora garota!
- Ainda tem tapa na cara? Perguntou ela.
- Não, desculpe. Ninguém o comprava.
- Entendo.
- Mais alguma coisa?
- Só uma pergunta... O que os outros procuravam?
- Felicidade. Mas esta está fora do mercado.
...
- A propósito, tenho quase 18 anos.