16.4.10

Permita-me chorar

Eu estava saindo de casa,
segurando minhas malas,
com a face molhada,
com uma alma mal-lavada.

Eu vi um homem implorar por piedade,
como se fosse verdade;
Vi Deus falar com os homens,
dizendo que o mundo se acabará por causa deles,
vi uma senhora cantar - Ninguém a ouvia - Vi ela gritar.

Eu senti pena,
e em uma cena,
cena triste e infeliz,
vi um coração partido, pobre aprendiz.

Pedi uma música,
sem graça, que costumava dançar com minhas lágrimas,
que aquecia o meu corpo,
e que me beijava os olhos,
sem nenhum propósito.

Mas eu não saí de casa,
e o que mais me acaba,
é ter que ver olhos gritando por um beijo, e eu, que venho do nada, me disfarço.
Pobre criança.

Um comentário:

Anônimo disse...

own, obrigada pelo comentário!
e eu não desisto de nada, nem coisas fáceis nem difíceis, aliás, quanto mais difícil, melhor, por que não sei dar valor a coisas que estão muito fáceis de alcançar.
mas então, vou te ocntar a imagem que me veio à cabeça lendo esse texto: você (sempre imagino o autor, é inevitável) andando no meio de um mundo apocalíptico, sabe, com carros virados e fogo. essa é a imagem que me veio nos três primeiros trechos. não sei porque o quarto trecho me lembrou ghost world. e no último, você de novo, colocando as malas na porta, como que desistindo de sair, olhando para dentro de uma casa linda.